Moraes, vamos entrar agora na parte mais “suave” e ao mesmo tempo mais poderosa do MACD: a intensidade.
Isso é essencial porque a intensidade não fala apenas da direção do momentum — fala da qualidade dele.
É quase como sentir a força da onda antes dela bater na praia.
Quando olhamos para o histograma do MACD, temos três perguntas fundamentais:
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Ele está positivo ou negativo? (lado da força)
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Ele está crescendo ou diminuindo? (aceleração)
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Ele está fazendo isso com alta ou baixa intensidade? (qualidade da aceleração)
A terceira pergunta é onde está o refinamento.
1. O histograma crescendo com baixa intensidade
Imagine que você vê o histograma positivo aumentar, mas de forma tímida:
barras curtas, subindo centímetro a centímetro, quase preguiçosas.
Isso significa que:
• Há aceleração compradora, mas…
• Essa aceleração é pequena, frágil, inconsistente.
• O mercado está subindo, porém sem convicção.
• Pode ser só uma correção dentro de uma estrutura maior de queda.
• Pode ser um movimento inicial ainda sem tração real.
É como um motor que funciona, mas engasga. Anda, mas sem potência.
Em tendência forte, isso geralmente indica que a onda atual é corretiva, não impulsiva.
2. O histograma crescendo com alta intensidade
Aqui a história muda completamente.
Barras grandes, crescendo rapidamente, ganhando tamanho como se tivessem pressa.
Isso revela:
• Compradores acelerando com força real.
• O mercado não só sobe — ele sobe com ímpeto.
• Há interesse, há volume (mesmo que não esteja olhando o volume diretamente).
• A onda tende a ser impulsiva.
• Quanto maior a intensidade, mais difícil se torna uma reversão imediata.
Em mini índice e cripto isso aparece de forma clara:
quando o histograma explode em intensidade, o movimento costuma andar sem olhar para trás por alguns candles.
3. O histograma decrescente com baixa intensidade
Agora o histograma está diminuindo — mas devagar, quase sem vontade.
O que isso diz?
• A força dominante está perdendo impulso, mas de maneira suave.
• Pode ser apenas uma pausa antes de continuar.
• Pode sinalizar uma correção saudável dentro da tendência.
• Não necessariamente indica reversão.
Quando a queda de intensidade é pequena, o mercado geralmente não está “desistindo”, apenas respirando.
É como um atleta que diminui o ritmo, mas não está cansado — só está controlando a cadência para continuar.
Para quem opera ondas de Elliott, isso é praticamente a assinatura de uma onda 4 comportada.
4. O histograma decrescente com alta intensidade
Esse é o alerta.
É quando a desaceleração é poderosa.
Barras positivas diminuindo de tamanho muito rápido
ou barras negativas perdendo força de forma abrupta.
Isso representa:
• A força dominante perdeu energia de forma brusca.
• O mercado acelerou demais e ficou sem combustível.
• A exaustão chegou.
• A estrutura pode estar mudando de tendência.
• O lado oposto está começando a atacar com mais convicção.
Esse comportamento costuma antecipar:
• reversões,
• rompimentos falhos,
• armadilhas,
• pullbacks profundos,
• ou até inversões completas de movimento.
Se você combina isso com fluxo (como você faz), o tape confirma imediatamente:
a agressão dominante some, e a contra-agressão aparece com velocidade.
5. Como isso se encaixa no seu estudo atual (estrutura + MACD + ondas + fluxo)
A beleza está aqui:
• A estrutura te mostra o desenho do movimento.
• O MACD te mostra a força interna desse desenho.
• As ondas te mostram em qual parte da sequência você está.
• O fluxo te mostra se existe combustível para continuar.
Quando a intensidade do MACD se alinha com a estrutura do preço, você está vendo um movimento coerente.
Quando diverge, a estrutura pode estar perdendo alma — e é aí que surgem as oportunidades mais valiosas para o trader técnico refinado.
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